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BCE: inflação deve permanecer elevada por período maior

 | 03.07.2008 | 10h50

 

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Por Nathália Ferreira e Patrícia Fortunato

Agência Estado 

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, destacou hoje que as taxas de inflação harmonizadas (HICP, na sigla em inglês) continuaram subindo significativamente e devem permanecer acima do nível consistente com estabilidade de preços por um período mais prolongado.

Em entrevista coletiva para explicar a decisão do BCE de elevar a taxa básica de juros na zona do euro (15 países europeus que compartilham a moeda) em 0,25 ponto porcentual, para 4,25% ao ano, Trichet mencionou que a inflação em base anual alcançou 3,7% em maio de 2008 e 4% em junho deste ano, segundo estimativa da Eurostat. "Esse nível preocupante de inflação resulta amplamente dos fortes aumentos nos preços de alimentos e energia, em nível global, nos últimos meses", disse ele.

Segundo Trichet, com base na avaliação atual, a postura da política monetária de hoje contribuirá para alcançar o objetivo de manter a estabilidade de preços. Ele acredita que a inflação deverá ficar bem acima de 2% por algum tempo, moderando apenas gradualmente em 2009.

Indexação

O presidente do BCE disse ainda que o conselho diretor está preocupado com a existência de esquemas no qual os salários nominais são indexados aos preços ao consumidor. "Tais esquemas envolvem o risco de choques de alta na inflação, levando a uma espiral de preços e salários, o que seria prejudicial para o emprego e a competitividade nos países", alertou Trichet.

Crédito

Trichet disse ainda que o contínuo crescimento da dinâmica monetária representa um importante sinal de risco à estabilidade de preços no médio prazo. De acordo com ele, o BCE vem tratando da questão por meio de ações de política monetária que vem sendo tomadas desde o fim de 2005, "incluindo a ação de hoje".

O presidente do BCE também afirmou que o crescimento dos empréstimos bancários para corporações não financeiras continuou muito robusto, apesar da alta nas taxas de juros de curto prazo. "Embora alguma moderação possa acontecer no futuro, em virtude do aperto das condições de financiamento e de crescimento econômico mais moderado, os empréstimos bancários na zona do euro por parte de corporações não financeiras cresceu a uma taxa anual de 14,2% ao ano em maio de 2008, e o fluxo de empréstimos nos meses recentes foi forte". As informações são da Dow Jones.

 
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