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Até os maquinistas viram sócios

Há uma década, a GP Investimentos assumiu a gestão da ALL Logística, a antiga malha sul da Rede Ferroviária Federal. Desde então, a empresa passou por um profundo choque de gestão -- coordenado primeiro pelo executivo Alexandre Behring e, desde 2005, pelo atual presidente, Bernardo Hees. Procure por qualquer índice de eficiência e ele terá aumentado -- e muito -- desde a privatização. Hoje, a ALL é uma das maiores operadoras da América Latina, com faturamento de quase 2,4 bilhões de reais em 2007. Um dos melhores argumentos para convencer os funcionários da antiga estatal a buscar melhorias operacionais foi a meritocracia (uma herança da GP, que hoje não controla mais a empresa). Em bom, português, quem faz mais ganha mais. Graças a isso, hoje dos 6900 funcionários da ALL cerca de 150 já se tornaram sócios da companhia. Hees, com quem conversei hoje, me disse que desse grupo não fazem parte apenas executivos. "Alguns maquinistas já receberam o equivalente a quase 200 000 reais em ações da empresa", afirmou ele.


Publicado em 25/06/2008 - 17:08


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Os limites do crédito

Minha manicure me contou que a irmã dela acaba de comprar um carro -- o primeiro de sua vida. Com todo o crédito disponível no mercado, ela decidiu que seria possível bancar um 0 quilômetro. Escolheu um modelo popular e deu uma entrada pequena. Parcelou o restante em 60 meses. Nos próximos 5 anos, ela vai desembolsar todos os meses quase 600 reais referentes à prestação do carro. Por conta dos problemas de segurança da cidade, ela resolveu fazer um seguro -- algo em torno de 150 reais por mês (claro, ela também parcelou o seguro). Ou seja, sem contar o combustível e eventuais consertos mecânicos, ela vai gastar 750 reais do mês com o carro. O salário dela é de 1200 reais. Feitas as contas, nos próximos 5 anos ela terá o equivalente a 450 reais para todas as outras despesas de sua vida -- todo o resto será gasto com o automóvel.

Essa conta fecha? Honestamente eu acho que não. Enquanto as montadoras comemoram recordes históricos de produção, os financiamentos de automóveis estão sendo aprovados sem grandes restrições -- como mostra o caso dessa consumidora. A pergunta é: será que esse crédito farto não guarda semelhanças com a bolha dos imóveis nos Estados Unidos?


Publicado em 20/06/2008 - 18:04


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O fundo bilionário de Ricardo K.

O presidente da Brasil Telecom, Ricardo Knoepfelmacher, mais conhecido como Ricardo K. será o responsável por captar um novo fundo de 1 bilhão de dólares que a administradora de recursos Angra Partners deverá lançar nos próximos meses.

Ricardo permanecerá na BrT até que praticamente todas as etapas da compra da empresa pela Oi sejam cumpridas -- um prazo estimado pelo executivo entre quatro e oito meses. Depois disso, voltará para a Angra Partners, da qual era sócio até tornar-se presidente da operadora de telefonia. O novo fundo que vai capitanear tem metas de buscar pelo menos 60% dos recursos no exterior. Ricardo conta com a experiência adquirida com os fundos de pensão brasileiros -- sobretudo a poderosa Previ, uma das investidoras da BrT -- para convencer fundos de pensão estrangeiros a colocar dinheiro na Angra.


Publicado em 16/06/2008 - 20:09


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Os americanos da Anheuser-Busch vão sambar

 Acabou agora pouco a teleconferência para analistas que a Inbev promoveu para explicar  a oferta de compra feita à americana Anheuser Busch.

A primeira impressão é de que chamar a Inbev de uma cervejaria belga é bobagem. Ok, a matriz pode ser na pequena Leuven, mas quem dá as cartas são os brasileiros oriundos da AmBev -- quem atendeu os analistas do mundo todo foram o CEO Carlos Brito e o CFO Felipe Dutra (dos 13 executivos da InBev, 9 são brasileiros).

Além disso, fica claro que a InBev não entrou nessa para perder. O sonho dos atuais principais acionistas da AmBev -- Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira -- de se unir à AB tem pelo menos uma década. Nesse período, eles trataram de fazer com que a Brahma, que adquiriram em 1989, ganhasse musculatura. Primeiro, comprando a Antarctica e formando a AmBev. Depois, unindo-se à belga Interbrew para formar a Inbev. A compra da AB seria, portanto, um passo quase natural agora. Segundo jornais internacionais, o modelo da oferta foi arquitetado durante vários meses. Além de montar uma sólida estrutura financeira para bancar a aquisição, a InBev está sendo cuidadosa com eventuais problemas de imagem -- espera-se que a possível compra de uma companhia secular americana vá despertar uma reação nacionalista nos Estados Unidos. Por isso, Brito fez questão de ressaltar que respeita muito os controladores, que as fábricas não serão fechadas e que os consumidores americanos continuarão a ter acesso à mesma Budweiser que sempre beberam.

Quando assumiram a gestão na Bélgica, os brasileiros promoveram uma verdadeira revolução, com sua receita baseada em corte de custos e meritocracia -- uma novidade até então na cervejaria acostumada a reuniões de conselho regadas a champanhe. Se levaram a AB, como tudo indica, vão aplicar a mesma receita. Minha opinião é de que da mesma forma com que enfrentaram resistências ao modelo na Bélgica, eles terão trabalho nos Estados Unidos. Mas, eles vão acabar dominando St Louis, onde fica o QG da Anheuser-Busch, assim como dominaram Leuven.


Publicado em 12/06/2008 - 15:11


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Executivo da GOl monta fundo de private equity

 Dias atrás, a companhia aérea Gol anunciou uma mudança em sua estrutura de comando. A principal delas era que o vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores, Richard Lark, deixaria o cargo e assumiria uma cadeira no conselho de administração. O que não foi revelado, porém, é que Lark vai começar a ser dedicar também a um projeto pessoal. Aos 41 anos de idade, o executivo que foi o principal articulador do bem-sucedido processo de abertura de capital da Gol, em 2006, está montando um fundo de private equity com dois sócios. O patrimônio do fundo é de quase 150 milhões de reais -- boa parte desse valor vem do bolso dos três sócios. Segundo estimativas do mercado, o pacote de ações que Lark recebeu da Gol deve ter rendido algo em torno de 50 milhões de reais depois do IPO.


Publicado em 09/06/2008 - 20:16


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Cristiane Correa, editora executiva de EXAME, escreve sobre o que acontece no mundo das empresas.

ccorrea@abril.com.br





 
 
 
 

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