Babel e os call centers

Fui assistir ao filme Babel, do cineasta cineasta mexicano Alejandro Iñárritu. Com três tramas que acontecem em diferentes lugares do mundo - Marrocos, Japão e América do Norte - o filme deixa claro como as pessoas enfrentam dificuldades para se comunicar. Em qualquer canto do planeta e em qualquer classe social.

Ok, mas o que isso tem a ver com o mundo das empresas? O filme me fez lembrar de dois diálogos bizarros que travei nos últimos dias com atendentes de call centers. Num dos casos, eu tentava sustar um cheque no banco onde tenho conta corrente. No outro, tentava marcar um exame corriqueiro num dos laboratórios médicos mais conhecidos do país. Senti como se eu estivesse em Babel, falando um idioma que aparentemente só eu conhecia. Para me fazer entender, tive que apelar...

 

A conversa com o banco:

Eu -  Olá. Paguei uma conta com um cheque e agora a loja que o recebeu disse que ele foi preenchido incorretamente. Vou lá amanhã para fazer outra vez o pagamento, mas gostaria de sustar esse cheque errado como medida de segurança.

Atendente -  Não será possível, senhora. Só podemos sustar cheque em caso de perda ou roubo

Eu -  Tá certo. Então... pensando bem... eu perdi o cheque.

Atendente - Vou sustá-lo agora mesmo, senhora.

A conversa com o laboratório:

Eu - Preciso marcar um exame X.

Atendente - Qual seria o motivo do pedido médico, senhora?

Eu - Rotina

Atendente - Infelizmente o convênio médico não reembolsa o laboratório em caso de exame de rotina. O exame só é coberto quando é necessário para uma cirurgia ou quando a paciente sente dor.

Eu - Então...ah... estou sentido dor

Atendente - Pois não, senhora. Sendo assim eu posso marcar o exame. 

Alguém aí pode me explicar por que os consumidores e os atendentes de call center parecem nunca falar a mesma língua?

Por Cristiane Correa
Publicado em 26/01/2007 - 16:52
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A nova tacada dos criadores do Skype

Os empreendedores Niklas Zennstrom and Janus Friis, criadores do Skype, o software que permite ligações quase gratuitas pela internet, preparam uma nova investida. Depois de fazer as operadoras de telefonia sofrerem com o avanço do Skype, eles pretendem agora atormentar as emissoras de televisão. Na semana passada, eles lançaram o Joost, uma espécie de TV pela internet. Segundo os idealizadores, o projeto vai juntar o melhor dos dois mundos: imagem com qualidade de TV e toda a "democracia" que a internet pode gerar -por exemplo, uma grade de programação personalizada e chats com telespectadores.

O programa só deve ser lançado para valer em seis meses. Por enquanto, quem quiser ver como funciona terá que se contentar com um versão teste (www.joost.com). Ao contrário de sites como o YouTube, o Joost deverá ter conteúdo produzido por grandes empresas - a espanhola Endemol, produtora do Big Brother, e a Warner Music já estão na parada - e boa parte de suas receitas deverá vir de anunciantes.

A história toda parece meio "doida"? Concordo. Mas lembre-se que o Skype foi vendido para o eBay por 2,6 bilhões de dólares em 2005. Ou seja: Zennstrom e Friis não estão para brincadeira. Assim como as telefônicas tiveram que aprender a conviver com o Skype, as emissoras de TV, agências de publicidade e anunciantes provavelmente terão de aprender a lidar com o Joost.

Por Cristiane Correa
Publicado em 23/01/2007 - 16:06
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Mudanças no Submarino

O diretor de Relações com Investidores do Submarino, Martín Escobari, está deixando a empresa. Trata-se da primeira baixa na cúpula desde que a Americanas.com anunciou a compra do varejista concorrente, em novembro passado, formando a B2W. Escobari será substituído por José Timótheo de Barros, executivo que fez carreira na Americanas.com.

O mercado acredita que as mudanças do novo controlador estão apenas começando...

Por Cristiane Correa
Publicado em 19/01/2007 - 18:42
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O marketing burro

Parecia suficientemente absurdo que as construtores culpassem a chuva pela gigantesca cratera aberta na última sexta-feira nas obras da linha 4 do metrô. Ontem, porém, a fabricante de energéticos Red Bull mostrou que a inépcia para agir em situações de crise pode ir muito além da atitude inicialmente adotada pelo consórcio responsável pela obra. A Red Bull teve a brilhante idéia de despachar três promotoras devidamente uniformizadas para a região do acidente. A missão das moças era distribuir energéticos ao pessoal que trabalhava na área. Questionada sobre a ação, a empresa argumentou que não estava fazendo promoção, mas simplesmente distribuindo o produto para quem precisava de uma energia extra para enfrentar a situação (veja abaixo a nota oficial da empresa). Trata-se de uma das ações de marketing mais inapropriadas e de mau-gosto que já vi. Enquanto corpos de vítimas tragadas pela cratera são procurados a empresa aproveita para fazer o seu "comercial"? Tenha dó...

 

NOTA DE ESCLARECIMENTO

 A Red Bull do Brasil deseja esclarecer os acontecimentos do dia 16 de janeiro último, relativos à distribuição do produto Red Bull nas imediações do desabamento da estação Pinheiros do metrô de São Paulo.

Na ocasião, três funcionárias da empresa disponibilizaram a bebida energética para os trabalhadores envolvidos nas operações de resgate desde a última sexta-feira, dia 12 de janeiro. Essas funcionárias são orientadas a abordar pessoas em situações de cansaço físico e/ou mental - como, por exemplo, médicos durante plantões, bombeiros, caminhoneiros que realizam longas viagens e esportistas - para beneficiá-las com o efeito energético da bebida.

A ação não teve cunho promocional, nem foi arquitetada pela empresa para se aproveitar de uma tragédia.

A Red Bull se solidariza com os familiares e amigos das vítimas neste momento de dor, e com os demais cidadãos prejudicados pelo desabamento.

Por Cristiane Correa
Publicado em 17/01/2007 - 11:30
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Um rival para o Wal-Mart?

Não é apenas no setor automotivo que as empresas japonesas incomodam as americanas (a Toyota está cada vez mais próxima de ultrapassar a GM e tornar-se a maior montadora do mundo). A nova frente de ataque dos asiáticos é o varejo. Segundo um estudo divulgado hoje pela consultoria Euromonitor International, a cadeia japonesa Seven & I já é a quarta maior varejista do mundo, atrás apenas do poderoso Wal-Mart, do Carrefour e da Tesco.

Nunca ouviu falar da Seven & I?  A empresa é relativamente nova - nasceu em 2005, resultado da fusão das redes 7-Eleven, Ito Yokado e Denny´s. Aos poucos, a cadeia foi comprando outras lojas pelo mundo. Hoje, a Seven & I está fortemente presente em toda a Ásia e avança também pela Europa e América do Norte, somando quase 30 000 lojas em 19 países (na América Latina só tem operações em Porto Rico).

Preste atenção nessa disputa pelo varejo mundial. Ela está apenas começando...

Por Cristiane Correa
Publicado em 16/01/2007 - 15:36
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Cristiane Correa, editora executiva de EXAME, escreve sobre o que acontece no mundo das empresas.
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