Tango argentino no pãozinho brasileiro
A crise na Argentina - que precede a crise financeira global - está afetando uma das principais commodities agrícolas do país: o trigo. A safra 2008/2009 do grão deve cair cerca de 40%, o que deve reduzir a produção a 10,5 milhões de toneladas. Essa brutal queda é resultado da seca histórica que afeta a Argentina (algo que está além das trapalhadas do governo de Cristina Kirchner) e da política de impostos sobre produtos agrícolas (isso, sim, de autoria da presidente). Desde julho, o governo argentino elevou as diferentes alíquotas de exportação tanto para farinha de trigo quanto para o grão. A medida irritou os produtores argentinos, que acabaram por diminuir a área plantada de trigo. A notícia não é boa para o Brasil. Mais da metade do trigo importado pelos moinhos brasileiros vem do país vizinho, o que equivale a cerca de 6 milhões de toneladas do grão por ano. Com a forte redução de oferta na Argentina, a cotação do trigo deve disparar no mercado internacional. E pode apostar: em 2009, o preço do pãozinho vai subir nas padarias brasileiras.
Por Fabiane Stefano
Publicado em 19/11/2008 - 21:15
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Do defensivo à gestão

A Bayer planeja inaugurar no Brasil um novo negócio: gestão financeira e ambiental. A gigante alemã de defensivos e de sementes estuda vender pacotes de consultoria financeira e ambiental para produtores, especialmente os de médio porte. É a primeira vez que a empresa atuará num segmento que não é estritamente ligado ao setor de agroquímicos ou de sementes. A idéia é que consultores atuem quase que como tutores dos agricultores, monitorando desde o fluxo de caixa até o controle de qualidade dentro da fazenda. Também será possível fazer a gestão ambiental da propriedade. O produtor que sair do plano traçado será alertado sobre os erros que está cometendo. Não se trata de bom-mocismo da Bayer - mesmo porque o produto será comercializado. A idéia surgiu porque a empresa costuma sentir no seu próprio caixa as crises (quase que constantes) que atingem o campo. "Nossa atividade depende da sustentabilidade financeira dos produtores", diz Rodrigo Gutierrez, diretor comercial da empresa.


O projeto piloto será testado com quatro agricultores, dois da Bahia e dois do Mato Grosso. Se ele se mostrar viável, a consultoria financeira deve entrar no portfólio de produtos da multinacionalna na safra 2009/2010. A comercialização deve ocorrer em forma de pacotes. Ou seja, quanto mais o agricultor comprar da Bayer, mais barato ficará o preço da consultoria. Mas, de acordo com a empresa, será possível adquirir apenas a consultoria. Para Gutierrez, a grande dificuldade do projeto é que os agricultores terão de abrir as suas contas para os consultores. Mas sem transparência, não há gestão que funcione.

Por Fabiane Stefano
Publicado em 14/11/2008 - 20:22
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A carne não é fraca

 O Bradesco divulgou nesta semana um amplo relatório de tendências setoriais para 2009 no qual são atualizados prognósticos feitos em maio de 2008. No agronegócio, foram analisados 14 produtos agropecuários. E o cenário geral não é animador. Embora o relatório aponte que os preços internacionais permaneçam acima da média histórica, os fatores de risco para o agronegócio são muitos. Aumento de custos, margens reduzidas, redução da oferta de crédito e volatilidade cambial justificam a revisão de boa parte dos cenários de "favorável" para "desfavorável". Nessa situação estão as lavouras de soja, milho, trigo, algodão, arroz e feijão. O que chama a atenção é que, entre tantos prognósticos negativos, as projeções para as cadeias de bovinos, suínos e aves se mantêm favoráveis. Os três segmentos - grandes exportadores - são amplamente beneficiados pela desvalorização do real, pois receberão mais reais pela mesma mercadoria. No caso de suínos e aves, a queda dos preços da soja e do milho implica a redução de custos - o que é uma ótima notícia em épocas de aperto. É provável que o setor brasileiro de carnes também venha a sentir os efeitos de uma demanda mundial mais fraca - assim como boa parte dos produtores de commodities. Mas isso deverá ser compensado pela forte competitividade que o país tem na produção de proteína animal. Em horas de crise, só os mais fortes tendem a ganhar mais espaço no mercado.

Por Fabiane Stefano
Publicado em 12/11/2008 - 17:14
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Muito além da xícara de café

A expansão dos cafés especiais no Brasil está criando um mercado paralelo em torno da bebida. Existe mais de uma dezena de escolas que dão cursos de baristas no país. O barista é o profissional especializado em fazer o cafezinho perfeito - seja a versão expressa ou de coador da bebida. A mais tradicional escola de baristas do Brasil é o Centro de Preparação do Café (CPC), em São Paulo, que recebe alunos do país inteiro. O perfil dos interessados é variado. Há desde pequenos empresários que buscam conhecimentos para montar seu próprio negócio como também os apreciadores da bebida, que querem aprender apenas a tirar uma boa xicrinha. Boa parte, no entanto, está de olho na qualificação profissional para atuar em restaurantes, bares e cafeterias chiques das grandes cidades.

 
Com a melhora da qualidade dos grãos no Brasil (o segmento gourmet já representa 5% da produção nacional de café), o consumidor nacional passou a exigir também uma apresentação mais sofisticada do produto. Ele quer saber a procedência dos grãos e a composição dos blends (as misturas). Além dos cursos tradicionais, há também os de preparo de coquetéis com café e os de Latte Art - que é a arte de desenhar com o leite em bebidas a base de café. No CPC, o curso básico de barista dura três dias inteiros e custa 450 reais. O salário de um profissional iniciante varia de 600 reais a 1 500 reais.

Por Fabiane Stefano
Publicado em 06/11/2008 - 22:15
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Otimismo versus otimismo
O Ministério da Agricultura acabou de lançar uma série de projeções para o agronegócio brasileiro nos próximos dez anos. O trabalho analisa 18 produtos agrícolas. Com exceção do algodão, que permanecerá estável, todas as outras culturas terão aumentos expressivos de produção até 2018. Os destaques ficam para o etanol (que passa de 22 bilhões para 59 bilhões de litros) e para o frango, a carne bovina, o trigo e o açúcar, com crescimentos de 57%, 49%, 46% e 44%, respectivamente. O desempenho do agronegócio tem sido alvo de estudos de longo prazo - especialmente quando se trata de duas das principais commodities agrícolas: a soja e o milho. A Agroconsult, consultoria especializada no setor de grãos, também fez seus cálculos para a safra 2018/2019. Ela projeta que a produção de soja chega a 108 milhões de toneladas - contra os 80,9 milhões estimados pelo ministério. Pela Agroconsult, a colheita de milho também vai ultrapassar as 100 milhões de toneladas (praticamente o dobro da produção atual), número bem superior ao projetado pelo governo. O que difere nas análises do ministério e da Agroconsult é o grau de otimismo. As conclusões do governo são mais conservadoras - e é até natural que sejam mesmo. Já a consultoria, com uma percepção mais de mercado, aposta num avanço mais agressivo. O certo é que as duas apontam para um aumento forte na produção agrícola. Minha preocupação: se hoje não há logística (para ficar apenas nesse item) que dê suporte ao setor, o que será do escoamento da produção agrícola em 10 anos?
Por Fabiane Stefano
Publicado em 31/10/2008 - 21:01
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Fabiane Stefano é repórter de EXAME e escreve sobre o agronegócio.


 
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