
A saída de Jorge Steffens, CEO da Datasul, da equipe de diretoria da Totvs, comprova a tese de que nenhum presidente de empresa comprada pela gigante brasileira do software de gestão resiste depois de concluídas as aquisições. Tudo começou com a Logocenter, que se fundiu com a Microsiga para dar origem à Totvs. Álvaro Junckes, um dos fundadores da Logocenter, saiu por desentendimentos com Laércio Cosentino, presidente da Totvs. Na seqüência, a RM Sistemas viu seus fundadores, os irmãos Ricardo e Henrique Mascarenhas, fazerem as malas e ameaçarem processar a Totvs por supostamente não cumprir cláusulas do contrato da época da fusão. Dessa vez, quem vai embora é Jorge Steffens. Funcionário da Datasul há 26 anos, ele vai embora pelo menos seis meses antes do planejado.
Quando a Totvs anunciou a compra da Datasul, em julho, a empresa já havia definido que o CEO da Datasul ficaria só até o fim da integração das empresas. A saída dos outros executivos de Logocenter e RM serviu de balizador e todas as partes concordaram que a vida de Steffens não seria muito mais longa na empresa. ´´Já era óbvio que isso ia acontecer´´, diz uma fonte próxima às negociações. O combinado era que ele ficaria até dezembro na companhia, mês previsto para a conclusão da integração. Mas a versão ouvida por Zeros e Uns é que a integração das duas companhias terminou antes do previsto. Steffens oficializou sua saída na última sexta-feira.
Fontes próximas do executivo dizem que a saída foi tranqüila, apesar da antecipação. Cosentino pediu que Steffens permanecesse na companhia. Teria oferecido um cargo de vice-presidente ou o comando da área de novos negócios. ´´Mas não foi nada que interessasse a ele ao ponto de fazê-lo ficar´´, disse a fonte. Com a tarefa da integração concluída e a sensação de tarefa cumprida, Steffens decidiu sair.
Por enquanto, pessoas próximas a Steffens dizem que ele não tem planos profissionais em vista e pretende apenas utilizar os próximos meses para tirar férias e voltar a estudar. Rumores já surgiram sobre um possível trabalho com a Neogrid, empresa de consultoria e sistemas de cadeia de suprimentos criada por Miguel Abuhab, fundador da Datasul. A relação entre os dois é antiga, e os dois são amigos. Mas ainda não existe nada confirmado. Outra aposta é que o ex-CEO da Datasul abrirá uma empresa própria -- de software, provavelmente? -- lá mesmo em Joinville (SC), onde continua morando. Por mais estranho que possa parecer, existe até a possibilidade de Steffens retornar à Totvs daqui a alguns meses.
É fato que Steffens só não pendura as chuteiras se não quiser. O executivo sai da Totvs como detentor de 1% das ações da companhia -- que hoje tem valor de mercado de 1,21 bilhão de reais. Apesar das cifras, pessoas que tiveram contato com ele dizem sentir traços de tristeza em sua voz, especialmente por ter dedicado tanto tempo da carreira à Datasul. O ex-presidente da Datasul atuava na companhia desde os 16 anos, onde ingressou como estagiário em 1982. Dois anos depois, quando estava na universidade, abriu o primeiro escritório da empresa em São Paulo. ´´Eu literalmente morava na filial´´, disse Steffens a Exame em 2003. Mas, como diz a fonte próxima ao executivo, a convivência de Steffens com a nova realidade após a fusão não tinha como ir muito mais longe por diretrizes da própria empresa. E dessa saída, fica a evidência de que quem entra na Totvs com uma aquisição, dificilmente sobrevive ao novo dia-a-dia.
Desde que a crise começou, boa parte dos analistas e até representantes da indústria arriscam palpites sobre qual o impacto no setor de tecnologia da informação. Com a alta do dólar, uma das primeiras previsões é o desaquecimento do mercado de computadores, ao passo que as máquinas tendem a ficar mais caras. Hoje no almoço de fim de ano da Intel, porém, veio a surpresa. Em uma conversa com os jornalistas, o presidente da empresa no Brasil, Oscar Clarke, afirmou que até agora, os varejistas não reportaram redução da demanda de eletrônicos de consumo em especial os PCs. O detalhe é que os fornecedores de componentes já sentiram uma retração nos pedidos, justamente pela dificuldade de renegociar os contratos com dólar instável. Moral da história: os fabricantes compram menos componentes, produzem menos e existe risco de faltar PCs no varejo em pleno Natal.
Segundo Clarke, hoje os fabricantes ainda têm estoques de componentes, o que deve satisfazer a fabricação de mais alguns lotes de máquinas. Mas se o ritmo lento de pedidos por componentes continuar, ´o quadro de desabastecimento é provável´, disse Clarke. ´Torcemos por uma estabilização do dólar para que o consumo volte a ficar normalizado. ´Dólar entre 2 e 2,10 reais seria um patamar saudável´, afirmou.
A Intel começou a sentir os efeitos da crise na segunda semana de setembro, quando os pedidos por componentes começaram a recuar. No primeiro e no segundo trimestre, a empresa cresceu a taxas de 30%, o que não deve se repetir no ano fiscal de 2008. Clarke não revela os números, mas diz que em virtude da crise, o crescimento no período deve ´ficar bem abaixo disso´.
Para 2009, o executivo aposta que o Brasil passará a ocupar o posto de terceiro maior mercado de PCs do mundo. Hoje, o país ocupa a quarta colocação, atrás de Estados Unidos, China e Japão. ´Temos hoje fundamentos mais sólidos da economia brasileira do que tempos atrás e isso deve permitir esse bom desempenho´.
A previsão para o ano de venda de PCs era de 11,8 milhões de unidades. Com a alta do dólar, os analistas apostaram na revisão para baixo desse número, mas a situação apresentada pelo presidente da Intel Brasil apontou um novo cenário e algumas outras perguntas. Será mesmo que pode faltar PC no Natal?
Oportunidade em tempos de crise
A premissa de comprar na baixa temporada será seguida à risca na Intel. A companhia já avalia adquirir empresas em plena crise e um evento de três semanas em outubro reuniu líderes de vários lugares do mundo para debater todas essas possibilidades de aquisição. A empresa não abre nem as áreas de interesse e nem as regiões geográficas em que pretende comprar, mas anúncios devem sair em breve. A bolsa de apostas sobre as candidatas já começou...
A Intel Brasil também anunciou nesta terça-feira (18/11) a chegada de seu processador de alto de desempenho, o Core i7. O processador é destinado a usuários que demandam alto poder de processamento em um PC de mesa, como em jogos ou produção de vídeos, e já chegará às lojas na primeira semana de dezembro. Cinco fabricantes já anunciaram que vão ter desktops com o processador: CCE, Nova, Accept, Megaware e Positivo. Os PCs deverão custar entre 4 000 e 8 000 reais.
A Eletropaulo Telecom, braço paulista de infra-estrutura de comunicações do Grupo AES, está se preparando para fornecer o serviço de banda larga pela rede elétrica. Conforme antecipamos na edição de EXAME, desta quinta-feira (13/11), a empresa já investiu 20 milhões de reais e habilitou a infra-estrutura de suas fibras ópticas para receber o sinal de banda larga em 300 prédios da região de Moema, em São Paulo.
A idéia é alugar sua infra-estrutura para as operadoras de telefonia que prestam o serviço de internet rápida. As negociações já começaram e os usuários que quiserem o serviço receberão o sinal de banda larga pela tomada por meio de um modem específico. Dos 2 000 quilômetros de fibra da empresa em 24 municípios paulistas, 70 já estão preparados para receber a banda larga pelo fio de energia elétrica e o plano é ampliar o alcance da rede em 2009, assim que a Anatel criar uma legislação específica para o modelo.
A diretora geral da Eletropaulo Telecom, Teresa Vernaglia, explicou que a rede de fibras que hoje circula apenas voz pode ser compartilhada com a banda larga porque ambas circulam em freqüências diferentes em um mesmo fio. A forma de levar esse sinal até as residências é que é diferente. No primeiro modelo, a fibra óptica chega até o poste mais perto da residência e nele é colocado um equipamento que permitirá injetar o sinal de banda larga na rede elétrica - é chamado gateway externo. A partir de lá, o sinal sobe às residências normalmente pelo fio. No segundo modelo, a rede de fibra chega até dentro da residência ou prédio e é colocado ali um outro equipamento que serve para distribuir esse sinal de banda larga pela tomada - o gateway interno. O modem BPL - como chama esse equipamento - já recebeu homologação da Anatel. É por ele que será feita a identificação da operadora que presta o serviço.
O projeto da Eletropaulo Telecom começou há dois anos, com o estudo de viabilidade da internet pela rede elétrica. Desde o ano passado, a equipe de pesquisas trabalha no plano de negócios e preparação da rede. A região de Moema foi escolhida, segundo a executiva, pela proximidade da rede de fibra e pela maturidade de usuários de banda larga. Algumas famílias já estão fazendo o teste de serviço para a avaliação das características técnicas - a própria Eletropaulo mantém um apartamento montado para exibir o conceito.
A Eletropaulo Telecom acredita que as operadoras de telefonia poderão optar por alugar sua rede de fibras por alguns motivos. O primeiro deles é que operadoras que querem expandir geograficamente a oferta de seus serviços e não querem investir nas obras para passarem fibras nesses 24 municípios que a empresa tem presença, por isso, alugam as redes. A segunda possibilidade é para as empresas que querem ampliar a velocidade de seus serviços de banda larga, mas com a infra-estrutura própria atual já não conseguem.
O mercado potencial da Eletropaulo Telecom é vasto. São 4,5 milhões de residências e cerca de 700 000 empresas, o que resulta em um PIB de 240 bilhões de reais, segundo o levantamento mais recente do IBGE. Desse total, 50% das famílias têm renda acima de 5 salários mínimos, ou seja, são o público alvo da empresa. Neste ano, a Eletropaulo Telecom deve faturar cerca de 90 milhões de reais. Se o plano de internet via rede elétrica vingar, esses números poderão crescer exponencialmente nos próximos anos.
Outra informação que circula no mercado é que as novas contratações estão suspensas, diferente do processo de fusão HP e Compaq. Naquela ocasião, a empresa resultante começou a contratar funcionários mesmo precisando demitir alguns posteriormente. Dessa vez, as contratações estão suspensas, até porque a HP já anunciou que deverá demitir cerca de 25 000 pessoas mundialmente. A HP Brasil ainda não confirma essa informação.
No meio de toda essa transição, outra informação interessante - dessa vez não relacionada à fusão - é sobre o novo cargo do diretor de marketing, Denoel Eller. No posto desde 2001, Eller passa a ser diretor da divisão de servidores e storage, no lugar deixado por Lauro Vianna, que foi promovido. Para um começo de ano fiscal -- que iniciou em 1º de novembro -- este já está para lá de movimentado.



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