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O Blackberry que se cuide

 | 12.06.2008

Com novos modelos e um software atualizado, o celular da Apple entra ?na disputa pelo mercado corporativo

 

Eric Risberg/AP Photo

Jobs anuncia o novo iPhone: de olho nas empresas

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Por Denise Dweck

EXAME 

Um em cada dois americanos que dependem de um smartphone para trabalhar usa o BlackBerry. Em todo o mundo, foram vendidos no último ano cerca de 14 milhões de aparelhos, a maioria ao mercado empresarial. O telefone da companhia canadense Research in Motion virou o xodó das empresas por apresentar funções como e-mail sincronizado com o computador e pelo alto nível de segurança. Mas a chegada do iPhone, no ano passado, virou uma pedra no sapato dos executivos da Research in Motion. Alguns presidentes, diretores e gerentes de empresas têm adotado o aparelho da Apple como substituto de seus BlackBerries e outros telefones inteligentes. Uma pesquisa feita nos Estados Unidos pela consultoria Rubicon com usuários do iPhone mostrou que 40% deles trocaram outros smartphones pelo celular da Apple, sendo que 13% aposentaram o BlackBerry. Mesmo sem venda oficial no Brasil, o iPhone também tem ganhado espaço por aqui. Estima-se que haja cerca de 300 000 aparelhos no país — e muitos deles têm sido usados como ferramenta de negócios. Com o iminente lançamento da nova versão do celular da Apple, com funções específicas para o usuário corporativo e grande oferta de programas, o iPhone vai entrar para valer na briga pelos departamentos de tecnologia das empresas.

Apesar de o Brasil ser o quinto maior mercado de telefonia móvel do mundo, o novo iPhone não tem data prevista para chegar ao país. Na América Latina, a América Móvil (Claro) só anunciou data para lançamento no México, dia 11 de julho. Apesar disso, muitos executivos brasileiros já aderiram ao aparelho. Seja por serem fãs de carteirinha dos produtos da Apple, seja por terem sido seduzidos pela interface inovadora, como a tela sensível ao toque. Essa foi uma das razões que motivaram Telmo Costa, presidente do grupo Meta, especializado em tecnologia da informação, a deixar de lado o BlackBerry e o smartphone da Nokia que usava na empresa. A outra foi a conexão Wi-Fi. “Passo quase metade do ano viajando e uso o celular com freqüência para trabalhar”, diz Costa, que também vê como vantagem o fato de o aparelho funcionar como tocador de música e câmera fotográfica. Segundo ele, quando o iPhone for lançado no Brasil, os executivos do Meta terão a possibilidade de optar pelo celular. “Como ocorreu com o Skype, a adoção do iPhone nas empresas deve ser impulsionada pelos funcionários”, diz Julio Puschel, analista do Yankee Group.

Uma das principais funções dos smartphones, a navegação na internet também é um dos motivos para a opção pelo telefone da Apple. A tela grande, com boa resolução, e a possibilidade de ampliar as imagens fazem com que a experiência no celular seja melhor que em outros aparelhos. Com necessidade de checar placares de jogos e notícias sobre futebol constantemente, Roberto Rosemberg, presidente da confecção Filon, que representa a marca esportiva italiana Lotto no Brasil, começou a usar o iPhone em sua conta telefônica pessoal em novembro. Na seqüência, passou a usá-lo também para o trabalho. “Depois que aprendi a usar o iPhone, não quero outro telefone”, diz. A facilidade de navegação do aparelho se reflete no uso da internet. De acordo com a consultoria Predicta, especializada em marketing online, o celular da Apple responde por mais da metade dos acessos à internet via celular.

Se os usuários têm um papel importante em introduzir o iPhone no meio corporativo, quem vai dar a palavra final sobre a adoção ampla dentro das empresas são os departamentos de tecnologia, ainda pouco acostumados a lidar com a Apple. A maioria tem computadores rodando Windows e usa os smartphones da Research in Motion. Na disputa para conquistar o coração dos profissionais de TI, a Apple anunciou para 11 de julho a nova versão do software básico do iPhone. Ele vai permitir que tanto os aparelhos novos como os antigos (que forem atualizados gratuitamente) contem com funções que sempre foram a vantagem do BlackBerry: o correio eletrônico em tempo real e a sincronização dos e-mails, da agenda e dos contatos telefônicos com o computador. Até então, não havia maneira de conectar o iPhone remotamente com os sistemas corporativos para que a agenda e o e-mail estivessem sempre atualizados. Isso muda com o iPhone 2.0. “Essas novidades ajudam a Apple a entrar no mercado corporativo, mas não será fácil”, diz Alex Zago, analista sênior de telecomunicações da consultoria IDC. “As empresas são conservadoras na adoção de novas tecnologias, sobretudo pela questão da segurança.”

A disputa vai começar
Conheça as armas do iPhone, da Apple, e do BlackBerry, da Research in Motion, na batalha pelo mercado de smartphones
IPhone Blackberry
Além de sensível ao toque, a tela de 3,5 polegadas é mais confortável para a leitura Para quem usa muito o e-mail, o teclado físico é uma vantagem incontestável
O navegador de internet é mais completo e permite melhor visualização das páginas Tem um robusto sistema de segurança para proteger a correspondência eletrônica
Desenvolvedores de todo o mundo criam programas para conectar o iPhone a sistemas corporativos É de fato o padrão de grandes empresas e instituições financeiras de todo o mundo

Segurança é um dos trunfos no qual a Research in Motion aposta para manter seu espaço entre os executivos. No aparelho, as informações são criptografadas tanto quando são enviadas numa mensagem como quando estão armazenadas no hardware. “Também temos diferenciais em termos de eficiência, com a compressão de arquivos, e na relação com os departamentos de tecnologia, oferecendo ferramentas de administração dos aparelhos”, diz Roger Crespo, gerente de inteligência de mercado para as Américas da Research in Motion. A empresa fechou o ano fiscal de 2008, em março, com crescimento de 98% e faturamento de 6 bilhões de dólares. Detém o segundo lugar no ranking dos fabricantes de smartphones, atrás apenas da Nokia. A Apple, que só entrou no mercado em junho do ano passado, ficou em terceiro lugar no quarto trimestre de 2007, de acordo com a consultoria Canalys.

No mundo dos smartphones empresariais, a decisão de compra também é muito balizada pelas funções que o celular vai desempenhar. A Nokia, por exemplo, tem uma legião de desenvolvedores de softwares para seu sistema operacional. A Research in Motion conta com parceiros que fazem aplicativos especialmente para empresas. Mas a Apple está investindo para reduzir a distância em relação aos concorrentes. Em março, o presidente da empresa, Steve Jobs, lançou o kit de desenvolvimento de software para o iPhone, que permite a programadores criar aplicativos para o telefone. No Brasil, várias empresas já se preparam para a chegada do celular. Alguns bancos, como o Itaú, estão desenvolvendo sites para mobile banking específicos para o iPhone. Em maio, o portal Hands, que reúne 200 canais de jornais, revistas e serviços online, lançou uma versão especial para o aparelho da Apple. O investimento em sites para o iPhone já dá retorno a empresas como a NetMovies, de São Paulo, locadora de DVDs pela internet. Do total de acessos ao site, 2% são feitos por meio de telefone celular — a maioria por iPhones. No mercado dos consumidores finais, a Apple já é um hit — agora, as empresas é que estarão na mira.

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